Capitalismo – Para o país nada, para os políticos tudo

Capitalismo - Para o país quase nada, mas para os políticos quase tudo

Essa é a infeliz realidade de um país que prove o capitalismo selvagem e corroí todas as possíveis conquistas sociais. Ou somos um estado intervencionista, dando saúde, educação e segurança pública de qualidade a toda população (assim como em alguns países da Europa). Ou somos completamente liberais, onde todas as instituições são privadas e os serviços pagos assim como nos EUA. O que não pode é o Brasil querer ser as duas coisas, ou querer ter os dois mundos, e ao longo do texto você entenderá porque.

Capitalismo sem controle é o mesmo que carro sem motorista

Jacques de Azevedo Nunes

Ambos sistemas de governo tem seu preço a pagar, no caso de um país intervencionista, onde serviços essenciais a sociedade são prestados pelas autarquias, invariavelmente os tributos a serem pagos serão maiores. Afinal de contas o dinheiro tem que sair de algum lugar. Não existe almoço 0800, assim como educação, saúde e segurança. Mas a questão aqui é como esses tipos de serviços devem ser prestados e cobrados.

Olhando do ponto de vista mais humano e igualitário, ter um estado que da suporte a saúde, educação e segurança como bens de prestação pública, passa a ser um grande diferencial social. Tornam a sociedade menos desigual, mas é óbvio que isso irá onerar o setor público. E naturalmente pagaremos mais impostos. Assim é na Europa, onde filhos de ricos e pobres estudam em escola pública e se tratam nos hospitais do estado. Entretanto o custo revertido em impostos é bem maior do que por exemplo os Estados Unidos da América, onde vigora um capitalismos completamente liberal, e com pouquíssima intervenção do estado. E por isso mesmo os impostos possuem os menores índices do mundo.

Entretanto nessa segunda alternativa, a desigualdade na prestação de serviços como saúde, educação e segurança é grande. Bens como saúde e a sua capacidade competitiva ficam intimamente ligada ao poder do capital. Para quem já assistiu o documentário SICKO SOS saúde – uma realidade inconveniente irá entender bem a diferença entre esses dois mundos. (Recomendo fortemente que assistam ao vídeo para um melhor entendimento do assunto. Poderá também desmistificar a idolatria que alguns brasileiros alimentam pelos Estados Unidos.

SICKO SOS saúde – uma realidade incoveniente

Alegar também que a saúde pública tende a ser pior que a privada (latrinalmente falando), é um equívoco. Pois deveriam saber que o sucateamento dos setores públicos no Brasil são orquestrados para justificarem o capitalismo das iniciativas privadas. É mais ou menos como dizer assim. – Quem vai querer fazer uso de instituições privadas na área de saúde e educação se existe algo tão bom quando no setor público? Agora, se existe diferença em favor do outro. Tudo justifica pagar uma instituição particular para fornecer aquilo que o estado está carecendo.

Mas será que está falhando por incompetência, por ingerência, ou porque assim foi planejado? Essas são questões que precisam ser levantadas pois não muito tempo atrás nossos pais estudaram em escolas públicas de qualidade e se tratavam em hospitais públicos de referência. Então o que mudou e porque mudou? Essa resposta você encontra no vídeo “Como Funciona o Capitalismo e como o dinheiro é criado?”

Como funciona Capitalismo e como o dinheiro é criado!

Mas qual sistema o Brasil adotou? Ai é que está a questão! Ao que parece o Brasil adotou ambos sistema, ou então está fazendo uma migração muito lenta para os padrões Americanos. Porque pagamos altos impostos, mas em contrapartida precisamos também pagar por saúde privada, educação privada, para que nossas vidas não terminem na privada.

Entenda porque o livre mercado é incapaz de se auto-regular, diferentemente de alguns que pensam que a economia se auto regula vendo o vídeo PROOUT – Teoria da utilização progressiva. Se não se der por satisfeito, sugiro fortemente a leitura da teste e dissertação de Milena da Silva Santos em Política social no capitalismo monopolista : função social do Estado e controle do capital

PROOUT – Teoria da utilização progressiva

Então provavelmente existe como sempre alguém ganhando com isso, e é aqui que retorno ao início do texto, onde figura a imagem com os dizeres “900 bilhões de impostos pagos! Qual o retorno desse dinheiro para o país?”. E finalizo ironicamente respondendo: – Para o país quase nada, mas para os políticos quase tudo!

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